quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ainda hoje em Barra


Naquele rincão do sertão da Bahia onde o Rio Grande entrega suas águas ao São Francisco, o dia acordou com o rilhar de facas dos pescadores, que rasgam os curimatãs verticalmente, depois de verter suas tripas num balde de restos que serão devolvidos ao rio imponente. O que eles não sabem é que o jornal espanhol El País publicou uma matéria sobre o "bispo verde", como define o Frei Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra, quase-mártir desta luta contra contra a transposição de águas do Chico. Matéria pobre, diz que o governo Lula vai "desviar" o curso do rio. Não é isso. Trata-se de construir, como se sabe, dois canais de concreto a céu aberto para integrar a bacia do São Francisco às bacias do Jaguaribe, Rio Salgado, Piranhas-Açu e Apodi.

O resultado da licitação para a construção do primeiro lote da obra contemplou o Consórcio Águas do São Francisco. Segundo o site do Ministério da Integração Nacional, o "Lote 1 compreende serviços como os segmentos de canal, em uma extensão total de 39.128 metros, sistema de drenagem interna das seções dos canais, 12 tomadas d’água de uso difuso ao longo dos canais, muretas laterais no topo dos bordos revestidos dos segmentos dos canais, pistas laterais com 6 metros de largura ao longo do sistema adutor, passarelas para pedestres, pontes nos cruzamentos com estradas vicinais, drenos externos de proteção do sistema adutor, cercas de proteção nos dois extremos da faixa de domínio do sistema adutor, dentre outras ações". De acordo com o Diário Oficial da União, serão gastos R$ 238,8 milhões para essa primeira etapa. Resta saber o que é o Consórcio Águas do São Francisco: as empresas de engenharia Carioca, S.A. Paulista e Serveng.

Uma breve pesquisa com a palavra Serveng no Google retornou que a empresa já teve diversos pedidos de exclusão em editais licitatórios.

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